Oxosse


 

TRADIÇÃO_________________________________________________

 

Oxóssi governa a caça, protege os animais e as florestas. Ele protege os caçadores que precisam da caça para sobreviver e não tolera os que matam sem necessidade. Oxóssi dança como se estivesse agressivamente caçando com seu arco e flecha. Ele é o rei da nação Ketu do Candomblé. Suas cores são o azul claro e o verde. Quinta é seu dia e sua saudação é “Okê Arô”.

 

 

 

LENDAS_____________________________________________________________________

 

 

Oxóssi ganha de Orunmilá a cidade de Queto
 

Um certo dia, Orunmilá precisava de um pássaro raro para fazer um feitiço de Oxum.
Ogum e Oxóssi saíram em busca da ave pela mata adentro, nada encontrando por dias seguidos.
Uma manhã, porém, restando-lhes apenas um dia para o feitiço, Oxóssi deparou com a ave e percebeu que só lhe restava uma única flecha.
Mirou com precisão e a atingiu.
Quando voltou para a aldeia, Orunmilá estava encantado e agradecido com o feito do filho, sua determinação e coragem.
Ofereceu-lhe a cidade de Queto para governar até sua morte, fazendo dele o orixá da caça e das flechas.

 

(Mitologia dos Orixás,2001,pp.116)

 

Odé desrespeita proibição ritual e morre

 

Naquele dia a caça era proibida.
Ninguém podia trabalhar.
Era dia de ir à casa de Ifá levar as oferendas.
Mas Odé queria caçar, como fazia todo dia.
Odé não se importou com o interdito.
Odé não foi consultar o adivinho.
Odé tranqüilamente foi caçar, seguiu o caminho da floresta.
Oxum, sua esposa, cansada de ver o marido quebrar os sagrados tabus, abandonou a casa e o esposo.
Caminhando pela mata, Odé escutou um canto que dizia:
"Eu não sou passarinho para ser morta por ti..."
Era o canto de uma serpente, era Oxumare.
Odé não se importou com o canto e atravessou a cobra com a lança, partindo-a em vários pedaços.
Odé tomou o caminho de sua casa e, no percurso, continuou escutando o mesmo canto:
"Eu não sou passarinho para ser morta por ti..."
Ao chegar em casa, Odé foi para a cozinha, preparou uma iguaria com o fruto de sua caça e comeu a saborosa comida imediatamente.
Pela manhã Oxum retornou a casa para ver como estava o caçador.
Para seu espanto, encontrou morto o seu Odé.
Odé estava morto, o corpo caído no chão.
Ao lado de Odé, Oxum viu um rastro de serpente.
Desesperada, Oxum foi procurar Orunmilá.
E ofereceu muitos sacrifícios.
Orunmilá ouviu o pleito da dolorosa Oxum.
Orunmilá deixou Odé viver de novo.
Deu a Odé o cargo de protetor dos caçadores.
E Odé foi transformado em orixá.

 

(L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.115)

 

Erinlé é acusado de roubar cabras e ovelhas


Em Ijebu viveu um caçador chamado Erinlé.
Ele era generoso e imbatível na caça.
Por isso era admirado pela maioria da população.
Mas havia alguns moradores que invejavam Erinlé e que conspiravam para arruinar o caçador, famoso pela caça de elefantes e de outros animais.
Decidiram roubar cabras e ovelhas do rei e culpar Erinlé.
O rei intimou quem soubesse algo sobre o roubo a dizê-lo.
Os conspiradores foram até o rei fazer a acusação.
Disseram que Erinlé roubava cabras e ovelhas, escondia as peles em casa e dizia que as carnes eram de animais selvagens.
O rei quis ouvir a defesa de Erinlé.
Houve testemunhos a favor dele.
Diante do impasse, o rei ponderou que Erinlé parecia ser de fato um grande caçador, mas teria que provar sua inocência.
Erinlé disse: Minha caça falará por mim.
Minha caça será minha testemunha".
Erinlé foi até sua casa e trouxe coisas para o rei.
Erinlé trouxe as peles dos animais selvagens que havia caçado.
Presas de elefantes e de javalis, peles de gamos, veados e antílopes.
Então o rei reconheceu a inocência de Erinlé e ordenou que ninguém mais tocasse no assunto.
Erinlé foi para casa, inocentado porém triste.
Erinlé nunca se conformou com a acusação que sofrera.
Erinlé pensava e não entendia a razão de tentarem desgraçá-lo.
Não quis mais caçar nem comer com os seus.
Em momentos de desespero fustigava o próprio corpo com a sua chibata de cavaleiro, seu bilala.
Imaginava que seria acusado novamente caso acontecesse outro roubo de animais.
Erinlé perdera completamente a vontade de caçar.
Então entrou na água de um rio próximo e partiu de Ijebu, onde nunca mais foi visto.
E se tornou o orixá do rio.
Erinlé agora é o rio.
O rio Erinlé é Erinlé, O orixá caçador que já não caça.

 

(L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.132)

 


Erinlé é chamado Ibualama


Havia um caçador chamado Erinlé, o grande caçador de elefantes.
Um dia uma mulher passava perto de um rio e ali perto, junto ao bosque, avistou o caçador.
Ele pediu a ela que lhe desse água para beber.
A mulher entrou no rio até a altura dos joelhos e, quando se inclinou para apanhar água,
ouviu de Erinlé a ordem de que entrasse mais fundo.
Mais fundo no rio entrou a mulher, mas percebendo que o rio ia afogá-la, saiu imediatamente da água, com medo de ser morta.
Ela ouviu então a voz do caçador, que era o próprio rio, reclamando que ela não trazia oferenda alguma.
Ela queria recolher sua água, mas nada lhe dava em troca.
Ninguém pode entrar no rio profundo sem trazer presentes.
Tempos depois, quando Erinlé foi cultuado como orixá, seus seguidores o chamaram de Ibualama, que quer dizer "Água Profunda".

 

(L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.133)

 

 

(1)
 

Quando Oxum e Oxóssi se conheceram, ele logo se apaixonou e quis casar com ela. Oxum concordou, mas impôs a condição de que ele fosse com ela para a mansão de seu pai disfarçado de mulher, para não ter a entrada impedida. Oxóssi aceitou, sem perguntar se isso lhe traria problemas. Então Oxum o transformou em mulher e eles foram juntos para o palácio. Lá, Oxóssi foi muito bem recebido, pois foi apresentado como uma amiga de Oxum; e assim os dois puderam viver juntos por muito tempo. Meses depois, Oxum não pôde mais esconder a gravidez; Oxalá descobriu a verdade e expulsou Oxóssi do palácio. Por ter se transformado em mulher, Oxóssi se tornou bissexual; e seu filho, Logun Edé, também.

 

 

(2)
 

Oxóssi era ajudante do irmão Ogum e carregava suas flechas. Certo dia, numa das caçadas, encontrou o irmão Ossain, que vivia na floresta e era um mago. Ossain enfeitiçou-o e Oxóssi ficou servindo a ele por algum tempo. Quando o efeito do feitiço passou, Oxóssi quis voltar para casa, mas a mãe Iemanjá não o aceitou. Então, Oxóssi voltou para a mata e foi morar com Ossain, que lhe ensinou todos os mistério da floresta e de seus habitantes. Desde então, Oxóssi se tornou um grande caçador, passando a garantir a alimentação da família e defendendo animais e plantas de pessoas que matam sem necessidade.

 

 

(3)
 

Odé era um grande caçador. Certo dia, ele saiu para caçar sem antes consultar o oráculo Ifá nem cumprir os ritos necessários. Depois de algum tempo andando na floresta, encontrou uma serpente: era Oxumaré em sua forma terrestre. A cobra falou que Odé não devia matá-la; mas ele não se importou, matou-a, cortou-a em pedaços e levou para casa, onde a cozinhou e comeu; depois foi dormir. No outro dia, sua esposa Oxum encontrou-o morto, com um rastro de cobra saindo de seu corpo e indo para a mata. Oxum tanto se lamentou e chorou, que Ifá o fez renascer como Orixá, com o nome de Oxóssi.

 

 

 

ERVAS______________________________________________________________________

 

Acácia jurema - Usada em banhos de limpeza, principalmente dos filhos de Oxóssi. É também utilizada em defumações. A medicina popular a utiliza em banhos ou compressas sobre úlceras, cancros, fleimão e nas erisipela.

Alecrim de Caboclo - Erva de Oxalá, porém mais exigido nas obrigações de Oxóssi. Não possui uso na medicina popular.

Alfavaca do campo - Emprega-se nas obrigações de cabeça, nos banhos de descarrego e nos abô dos filhos do orixá a que pertence. A medicina caseira aplica esta planta para combater as doenças do aparelho respiratório, combate principalmente as tosses e o catarro dos brônquios; preparado como xarope é eficaz contra a coqueluche. Usada em chá ou cozimento das folhas.

Alfazema de caboclo -Conhecida popularmente como jureminha, a Alfazema é usada em todas as obrigações de cabeça, nos banhos de limpeza ou abô e nas defumações pessoais ou de ambientes. A medicina caseira usa os pendões florais, contra as tosses e bronquites, aplicando o chá.

Araçá/  Araçá de coroa - Suas folhas são aplicadas em quaisquer obrigações de cabeça, nos abô e banhos de purificação. A medicina popular considera essa espécie como um energético adstringente. Cura desarranjos intestinais e põe fim às cólicas.

Araçá da praia - Planta arbórea pertencente a Yemanjá e a Oxóssi. É empregada nas obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos dos orixás a que pertence. No uso popular cura hemorragias, usando-se o cozimento. Do mesmo modo também é utilizado para fazer lavagens genitais.

Araçá do campo - É utilizada em banhos de limpeza ou descarrego e em defumações de locais de trabalho. A medicina popular emprega o chá contra a diarréia ou disenteria e como corretivo das vias urinárias.

pariparoba.jpg (16465 bytes)Caapeba/ Pariparoba - Muito usada nas obrigações de cabeça e nos abô para as obrigações dos filhos recolhidos. A medicina popular utiliza seu chá para debelar males do fígado, e o cozimento das raízes para extinguir as doenças do útero. Surte efeito diurético.

Cabelo de milho - Somente o pé do milho pertence a Oxóssi, as espigas de milho em casa propicia despensa farta. Quando secar troque-a por outra verdinha. O cabelo-de-milho é muito usado pela medicina do povo como diurético e dissolvente dos cálculos renais. É usado em chá.

Capim limão - Erva sagrada de uso constante nas defumações periódicas que se fazem nos terreiros. A medicina caseira a aplica em vários casos: para resfriados, tosses, bronquites, também nas perturbações da digestão, facilitando o trabalho do estômago.

Cipó caboclo - Muito utilizada em banhos de descarrego. O povo lhe dá grande prestígio ao linfantismo, por meio de banhos. Usada do mesmo modo combate inflamações das pernas e dos testículos.

Cipó camarão - Usada apenas em banhos de limpeza e defumações. O povo indica que, em cozimento é de grande eficácia no trato das feridas e contusões.

Erva curraleira - Aplicada em todas as obrigações de cabeça e nos abô dos filhos do orixá da caça. Na medicina popular é aplicada como diurético e sudorífico, sendo muito prestigiada no tratamento da sífilis. Usa-se o cozimento das folhas.

Goiaba/ Goiabeira / Mungaiaua - É utilizada em quaisquer obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos de Oxóssi. A medicina caseira usa a goiabeira como adstringente. Cura cólicas e disenterias. Excelente nas diarréias infantis.

Guaco cheiroso - Aplica-se nas obrigações de cabeça e em banhos de limpeza. Popularmente, esta erva é conhecida como coração-de-Jesus. Medicinalmente, combate as tosse rebeldes e alivia bronquites agudas, usando-se o xarope. Como antiofídico (contra o veneno de cobra), usam-se as folhas socadas no local e, internamente, o chá forte.

Guaxima- cor de rosa - Usada em quaisquer obrigações de cabeça e nos abô dos filhos do orixá da caça. É de costume usar galhos de guaxima em sacudimentos pessoais e domiciliares. Muito útil o banho das pontas. A medicina popular usa as flores contra a tosse; as folhas são emolientes; as pontas, sementes e frutos são antifebris.

guine.jpg (43388 bytes)Guiné- caboclo - Utilizado em todas as obrigações de cabeça, nos abô, para quaisquer filhos, nos banhos de descarrego ou limpeza, etc. Indispensável no Candomblé. O povo usa para debelar os males dos intestinos, beneficia o estômago na má digestão. Usa-se o chá.

Jacatirão - Pleno uso em quaisquer obrigações. O seu pé, e cepa são lugares apropriados para arriar obrigações. Não possui uso na medicina caseira.

Jurema branca - Aplicada em todas as obrigações de ori, em banhos de limpeza ou descarrego e entra nos abô. É de grande importância nas defumações ambientais. A medicina caseira indica as cascas em banhos e lavagens como adstringente. Em chá tem efeito narcótico, corrigindo a insônia.

peregun.jpg (37040 bytes)Piperegum-verde – Iperegum-verde: Erva de extraordinários efeitos nas várias obrigações do ritual. A medicina aponta-a como debeladora de reumatismo, usando-se banhos e compressas.

Piperegum verde e amarelo - Tem o mesmo uso ritualístico prescrito para o piperegum de Oxóssi que divide com seu filho  Logun Edé, o uso ritualístico. Originária  de Guiné, na África. Trata-se de uma erva que possui extraordinário efeitos nas várias obrigações do ritual, possuindo grande eficácia nos sacudimentos pessoais e domiciliares e nos abô como afastamento de mão de cabeça no caso de zelador (a) de santo vivo, cercando as pernas da pessoa com folhas de piperegum ou amarradas ao tornozelo, feito isso  a cerimônia é iniciada. A medicina caseira aponta o piperegum como um dos melhores remédios para debelar o reumatismo, devendo ser usado em banhos ou compressas.

Pitangatuba - Usado em quaisquer obrigações de ori, bori, lavagem de contas e dar de comer à cabeça. A farmácia do povo indica em chá, nos casos de febres e também para desobstruir os brônquios.

 

 

 

REZAS______________________________________________________________________

 

Gbàdúrà Òsóòsì

 

Ode tó wa sílé, sílé níre

O caçador é suficiente para a nossa casa, para nossa casa ser feliz

Sí omon sí omon ilé ire

Para os filhos da casa serem felizes

Ode tó wa a sílé níre

O caçador é suficiente para nossa casa ser feliz

 

 

 

IGUARIAS___________________________________________________________________

 

 

Frutas para Oxóssi

 

Ingredientes: 7 tipos de frutas.

 

Modo de preparo: Em um alguidar ou cesta coloque 7 tipos de frutas bem bonitas (exceto abacaxi, mimosa, limão) enfeite com folhas de goiaba e côco cortado em tirinhas.

 

 

 

CURIOSIDADES_______________________________________________________________