Ossãe


 

TRADIÇÃO_________________________________________________

 

Ossaim é a divindade que governa a sagrada força das folhas. Ele é um curandeiro que conhece todo sagrado poder das folhas. Ossaim dança como se estivesse colhendo folhas que caem das árvores e plantas, recolhendo-as em sua bolsa e passando-as sobre os corpos daqueles que precisam de purificação. Sua cor é o verde, seu dia é o sábado e sua saudação é ”Ewe O”.

 

 

} Sem folhas não há Orixá, elas são imprescindíveis aos rituais do Candomblé.
Cada Orixá possui suas próprias folhas.
As folhas e as plantas constituem emanação direta do poder da terra fertilizada pela chuva. 
São como as escamas e as penas, que representam o procriado. 
O sangue das folhas é uma das forças mais poderosas, que traz em si o poder do que nasce e do que advém ~

 

(L.Candomblé A Panela do Segredo-108/109)

 

 

 

LENDAS_____________________________________________________________________

 

 

Ossaim dá uma folha para cada orixá

 

Ossaim, filho de Nanã e irmão de Oxumare, Euá e Obaluaiê, era o senhor das folhas, da ciência e das ervas, o orixá que conhece o segredo da cura e o mistério da vida.
Todos os orixás recorriam a Ossaim par curar qualquer moléstia, qualquer mal do corpo.
Todos dependiam de Ossaim na luta contra doença.
Todos iam à casa de Ossaim oferecer seus sacrifícios.
Em troca Ossaim lhes dava preparados mágicos: banhos, chás, infusões, pomadas, abô, beberagens.
Curava as dores, as feridas, os sangramentos; as disenterias, os inchaços e fraturas; curava as pestes, febres, órgãos corrompidos; limpava a pele purulenta e o sangue pisado; livrava o corpo de todos de os males.
Um dia Xangô, que era o deus da justiça, julgou que todos os orixás deveriam compartilhar o poder de Ossaim, conhecendo o segredo das ervas e o dom da cura.
Xangô sentenciou que Ossaim dividisse suas folhas com os outros orixás.
Mas Ossaim negou-se a dividir suas folhas com os outros orixás.
Xangô então ordenou que Iansã soltasse o vento e trouxesse ao seu palácio todas as folhas das matas de Ossaim para que fossem distribuídas aos orixás.
Iansã fez o que Xangô determinara.
Gerou um furacão que derrubou as folhas das plantas e as arrastou pelo ar em direção ao palácio de Xangô.
Ossaim percebeu o que estava acontecendo e gritou:
"Euê uassá!"
"As folhas funcionam!"
Ossaim ordenou às folhas que voltassem às suas matas e as folhas obedeceram às ordens de Ossaim.
Quase todas as folhas retornaram para Ossaim.
As que já estavam em poder de Xangô perderam o axé, perderam o poder de cura.
O orixá-rei, que era uma orixá justo, admitiu a vitória de Ossaim.
Entendeu que o poder das folhas devia ser exclusivo de Ossaim e que assim devia permanecer através dos séculos.
Ossaim, contudo, deu uma folha para cada orixá, deu uma euê para cada um deles.
Cada folha com seus axés e seus ofós, que são cantigas de encantamento, sem as quais as folhas não funcionam.
Ossaim distribuiu as folhas aos orixás para que eles não mais o invejassem.
Eles também podiam realizar proezas com as ervas, mas os segredos mais profundos ele guardou para si.
Ossaim não conta seus segredos para ninguém, Ossaim nem mesmo fala.
Fala por ele seu criado Aroni.
Os orixás ficaram gratos a Ossaim e sempre o reverenciam quando usam as folhas.

 

(Mitologia dos Orixás,2001,pp.154)

 


Ossaim é mutilado por Orunmilá


Ossaim vivia numa guerra não declarada contra Orunmilá, procurando sempre enganá-lo, preparando armadilhas, para transtorno do velho.
Um dia Orunmilá foi consultar Xangô para descobrir quem seria aquele inimigo oculto que o atormentava.
Xangô aconselhou-o a fazer oferendas.
Devia oferecer doze mechas de algodão em chamas e doze pedras de raio, edum ará.
Se isso fosse feito, seria desvendado o segredo.
Ao iniciar o ritual, Orunmilá invocou o poder do fogo.
No mesmo momento, Ossaim andava pela mata procurando novamente algo para enfeitiçar Orunmilá.
Ossaim foi surpreendido por um raio, que lhe mutilou o braço e a perna e o cegou de um olho.
Orunmilá seguiu para o local onde se via o fogo e ouviu gemidos do aleijado.
Ao tentar ajudar a vítima, encontrou Ossaim, descobrindo por fim quem era seu misterioso inimigo.

 

(L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.161)

 

 

(1)
 

Desde garoto, Ossain gostava mais de ficar sozinho vagando pela mata do que na companhia da família. Muito cedo, ele saiu de casa e foi morar no meio da floresta, onde se dedicou a estudar os poderes mágicos e medicinais das plantas. Depois de algum tempo, ele sabia tudo sobre o assunto e, quando alguém precisava de um remédio ou feitiço, recorria a ele. Mas ele guardava as folhas numa cabaça e não mostrava para ninguém. Os outros orixás ficaram aborrecidos por dependerem dele. Decidiram fazer alguma coisa, e Iansã se dispôs a resolver o problema. Foi ao encontro de Ossain e fez soprar uma ventania que derrubou a cabaça e espalhou as folhas. Então, cada orixá correu e pegou um pouco para si. Ossain só conseguiu guardar as mais secretas, mas continuou dono do poder mágico, e por isso todos têm de lhe pedir licença para usar as folhas.

 


(2)
 

Houve um rei que tinha três filhas muito bonitas. Quando elas chegaram à idade de casar, o rei disse que a mais velha casaria com quem adivinhasse o nome das três. Muitos pretendentes apareceram mas todos fracassaram; até que um dia chegou à cidade um rapaz que todos chamavam de aroni, o aleijado, porque tinha uma só perna. O aleijado se apaixonou pela filha do rei e se apresentou como pretendente. O rei lhe deu um prazo de três dias. Passeando perto do palácio, o aleijado descobriu um arvoredo onde as princesas passeavam. Subiu num pé de obi e, quando elas apareceram, fingiu ser o deus da árvore e deu a cada uma noz de cola em troca delas dizerem seus nomes. No dia marcado, foi à presença do rei, matou a charada e casou com a princesa. Só então revelou que era Ossain, o deus das folhas.

 


(3)
 

Quando Ossain nasceu, os pais o deixaram nu. Por isso, ele cresceu cheio de ressentimento contra eles. Vivia mais na floresta que em casa, e assim aprendeu os segredos das folhas. Um dia, jogou um feitiço sobre o pai, que não conseguia respirar, e só o curou quando o pai lhe deu uma roupa e um gorro; e assim Ossain não precisou mais se vestir de folhas. Depois, jogou um feitiço na mãe, que ficou com dor de barriga; e só a curou quando ela lhe deu um pano listado. Quando teve um filho, Ossain teve medo de que ele o tratasse como ele tratara o pai; então, matou-o e fez um pó de seu corpo. Mais tarde, usou esse pó para curar o rei, que em recompensa o cobriu de honrarias.

 


(4)
 

Quando Ossain trabalhou para Olorum, recebeu a função de ajudante do adivinho Orunmilá. Mas como ele sabia muito sobre ervas medicinais, não quis ser inferior ao outro. Para testá-los, Olorum resolveu enterrar os filhos dos dois por 7 dias; o que respondesse primeiro quando fosse chamado, venceria. Orunmilá consultou Ifá, que o aconselhou a fazer oferendas a Exú. Orunmilá obedeceu e Exú mandou um coelho levar comida para sacrifício ( o filho de Orunmilá ). Remédio, o filho de Ossain, usou seu poder mágico para falar com sacrifício, a quem pediu comida; este lhe deu, com a condição de que remédio não respondesse quando o chamassem. Ele assim fez e Orunmilá venceu a prova. Em agradecimento, compartilhou o poder de adivinhação com Exú.

 

 

(5)

Ossain havia recebido de Olodumaré o segredo das ervas. Estas eram de sua propriedade e ele não as dava a ninguém, até o dia em que Xangô se queixou à sua mulher, Oyá , senhora dos ventos, de que somente Ossain conhecia o segredo de cada uma dessas folhas e que os outros orixás estavam no mundo sem possuir nenhuma planta.

Oyá levantou as saias e agitou-as impetuosamente. Um vento violento começou a soprar. Ossain guardava o segredo das ervas numa cabaça pendurada num galho de árvore. Quando viu o que vento havia soltado a cabaça, e , que esta tinha se quebrado ao bater no chão, ele gritou 'Ewé O! Ewé O!' - 'Oh! As folhas! Oh! As folhas! -, mas não pode impedir que os orixás as pegassem e as repartissem entre si.



(6)


Òsanyin era o nome de um escravo que foi vendido a Orunmila. Um dia ele foi à floresta a lá conheceu Aroni, que sabia tudo sobre as plantas. Aroni, o gnomo de uma perna só, ficou amigo de Òsanyin e ensinou-lhe todo o segredo das ervas.

Um dia, Orunmilá, desejoso de fazer uma grande plantação, ordenou a Òsanyin que roçasse o mato de suas terras. Diante de uma planta que curava dores, Òsanyin exclamava: "Esta não pode ser cortada, é as erva as dores". Diante de uma planta que curava hemorragias, dizia: "Esta estanca o sangue, não deve ser cortada". Em frente de uma planta que curava a febre, dizia: "Esta também não, porque refresca o corpo". E assim por diante.

Orunmilá, que era um babalaô muito procurado por doentes, interessou-se então pelo poder curativo das plantas e ordenou que Òsanyin ficasse junto dele nos momentos de consulta, que o ajudasse a curar os enfermos com o uso das ervas miraculosas. E assim Òsanyin ajudava Orunmilá a receitar a acabou sendo conhecido como o grande médico que é.



(7)


Òsanyin, filho de Nanã e irmão de Osumare, Ewá e Obaluayê, era o senhor das folhas, da ciência e das ervas, o Orisá que conhece o segredo da cura e o mistério da vida. Todos os Orisás recorriam a Òsanyin para curar qualquer moléstia, qualquer mal do corpo. Todos dependiam de Òsanyin na luta contra a doença. Todos iam à casa de Òsanyin oferecer seus sacrifícios. Em troca Òsanyin lhes dava preparados mágicos: banhos, chás, infusões, pomadas, abô, beberagens.

Curava as dores, as feridas, os sangramentos; as disenterias, os inchaços e fraturas; curava as pestes, febres, órgãos corrompidos; limpava a pele purulenta e o sangue pisado; livrava o corpo de todos os males.

Um dia Sango, que era o deus da justiça, julgou que todos os Orisás deveriam compartilhar o poder de Òsanyin, conhecendo o segredo das ervas e o dom da cura.

Sango sentenciou que Òsanyin dividisse suas folhas com os outros Orisás. Mas Òsanyin negou-se a dividir suas folhas com os outros Orisás. Sango então ordenou que Iansã soltasse o vento e trouxesse ao seu palácio todas as folhas das matas de Òsanyin para que fossem distribuídas aos Orisás. Iansã fez o que Sango determinara. Gerou um furacão que derrubou as folhas das plantas e as arrastou pelo ar em direção ao palácio de Sango. Òsanyin percebeu o que estava acontecendo e gritou:

- "Euê Uassá!". "As folhas funcionam!"

Òsanyin ordenou às folhas que voltassem às suas matas e as folhas obedeceram às ordens de Òsanyin. Quase todas as folhas retornaram para Òsanyin. As que já estavam em poder de Sango perderam o Axé, perderam o poder da cura.

O Orisá Rei, que era um Orisá justo, admitiu a vitória de Òsanyin. Entendeu que o poder das folhas devia ser exclusivo de Òsanyin e que assim devia permanecer através dos séculos. Òsanyin, contudo, deu uma folha para cada Orisá, deu uma euê para cada um deles.

Cada folha com seus axés e seus efós, que são as cantigas de encantamento, sem as quais as folhas não funcionam. Òsanyin distribuiu as folhas aos Orisás para que eles não mais o invejassem. Eles também podiam realizar proezas com as ervas, mas os segredos mais profundos ele guardou para si. Òsanyin não conta seus segredos para ninguém, Òsanyin nem mesmo fala. Fala por ele seu criado Aroni. Os Orisás ficaram gratos a Òsanyin e sempre o reverenciam quando usam as folhas.


 

 

ERVAS______________________________________________________________________

 

Amendoim - Ossaim aprecia muito e adora saboreá-lo torrado, sem casca. O amendoim fornece um bom óleo para luz e também para a cozinha. Suas sementes são estimulante e fortalecem as vistas e a pele, além de ser em excelente afrodisíaco. Nos rituais, é empregado cozido e utilizado em sacudimentos, com excelentes resultados.
Coco de Dendê - É conhecido entre os Yorubás como Adin. Sua semente, desprovida da polpa, fornece um óleo branco, sólido, e serve para substituir a manteiga. É a chamada manteiga de karité. Este coco é muito prestigiado pela medicina caseira, pois debela cefaléias, anginas, fraqueza dos órgãos visuais e cólicas abdominais.
erva_passarinho.jpg (28088 bytes)Erva Passarinho - É muito aplicada no abô do orixá, nas obrigações renovadas anualmente e nos abô de babalossaim. Nas renovações, esta planta é a duodécima folha que completa o ato litúrgico renovatório. Na medicina popular, esta planta é empregada com sucesso absoluto, contra as moléstias uterinas, corrimentos e também para dar fim às úlceras. As folhas e flores são usadas em caso de diabetes, hemoptises e hemorragias diversas.
Erva de Santa Luzia - Muito usada nas obrigações de cabeças, ebori, lavagem de contas, feitura de santo. De igual maneira, também se emprega nos abô, banhos de descarrego ou limpeza dos filhos dos orixás. A medicina popular a consagrou como um grande remédio, por ser de grande eficácia contra o vício da bebida. O cozimento de suas folhas é empregado contra doenças dos olhos e para desenvolver a vidência.
Gitó/ carrapeta - Sua utilização se restringe ao uso litúrgico e ritualístico. É largamente empregada nos banhos de limpeza e purificação do orixá. Usada também em banhos de cabeça para desenvolver a vidência, audição e intuição. A medicina popular aplica-a na cura de moléstia dos olhos, porém em lavagens externas.
Guabira - Aplicada em todas as obrigações de cabeça, nos abô de uso geral e nos banhos de purificação e limpeza dos filhos dos orixás. A medicina caseira a indica no sentido de pôr fim aos males dos olhos conjuntivites. Em banhos, favorecem aos que sofrem de reumatismo e devem ser feitos em banheiras ou bacias, sendo mais ou menos demorados.
contadelagrimas.jpg (79560 bytes)Lágrima de Nossa Senhora - É usada nas obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de descarrego ou limpeza. O povo a indica como excelente diurético, em chá. Os banhos debelam o reumatismo e reduzem as inchações. As folhas e as sementes são indicadas para banhar os indicadas para banhar os olhos, propiciando bem-estar. A aplicação deve ser feita pela manhã, após ter deixado o banho ficar na noite anterior sob o sereno. Retire antes do sol nascer e aplique sobre os olhos.
Narciso dos Jardins - Entra nos trabalhos em razão de ser suporte para o fetiche de Ossaim, para o assentamento. Para ser utilizada, plante-a em um pote, no canto do vegetal, coloque o fetiche e por dentro do pote prenda o pé do fetiche com um pouco de tabatinga deixa-se secar em lugar longe de correntes de vento para que possam ter perfeita fixação. Quando estiver seco, o trabalho, procede-se com o sacrifício da ave correspondente ao orixá da folha (o galo), deixando o ejé banhar todo o fetiche. Acrescente fumo de rolo, banhe todo o fetiche com vinho moscatel e mel de abelhas, separadamente. Ao terminar, coloque o pote, com um abrigo circular por cima, e leve-o para cima do telhado do terreiro, lado esquerdo de casa e direito de quem a olha de frente. Não possui uso na medicina popular, pois é tida como planta venenosa.

 

 

 

REZAS______________________________________________________________________

 

 Gbàdúrà Òsónyìn

 

E jìn e jìn ewé ó e jìn

Vós destes, vós destes as folhas, vós destes

E jìn e jìn ewé ó e jìn

Vós destes, vós destes as folhas, vós destes

E jìn meré-meré Òsónyìn wa oògùn

Vós destes a nós a magia habilmente Ossain

E jìn meré-meré Òsónyìn wa lé ó

Vós destes a nós a magia habilmente Ossain

Máà lo bá inón níigbó ti igbó a bo

Nunca iremos com o fogo às matas onde vos cultuamos

Máà lo bá inón níigbó ti igbó a bo

Nunca iremos com o fogo às matas onde vos cultuamos

Wa dé omi máà dé inón

Nós chegaremos com água, jamais com fogo

Máà lo bá inón níigbó ti igbó a bo

Jamais iremos com o fogo às matas onde vos cultuamos

 

 

 

IGUARIAS___________________________________________________________________

 

 

Abacate para Ossain

 

Ingredientes: 1 abacate; 500g de amendoim; 250g de açúcar; fumo em corda; 7 folhas de louro.

 

Modo de preparo: Corte o abacate no meio e tire a semente, coloque as duas parte numa travessa com a polpa virada para cima. Numa panela misture o amendoim e o açúcar e mexa até derreter o açúcar, derrame essa mistura sobre o abacate. Enfeite com pedaços de fumo em corda e as 7 folhas de louro.

 

 

 

CURIOSIDADES_______________________________________________________________

 

 

TV CULTURA - Mojubá

 

 

 

 

 

 

 

 

CURIOSIDADES_______________________________________________________________

 

 

Canto de Ossanha > <

 

No encarte de "Afro-sambas", sua parceria com Mônica Salmaso, Paulo Bellinati conta que "em 1962, quando Vinicius de Moraes conhece Baden Powell, forma-se uma das maiores parcerias da história da MPB". "Canto de Ossanha" faz parte da seqüência musical baseada na mitologia afro-baiana, onde as lendas e os ritos dos orixás são contados através de sambas de roda, pontos de candomblé e toques de berimbau".

 

 

Dança de Ossãe