Ogum


 

TRADIÇÃO_________________________________________________

 

Ogum é a divindade da guerra, ferro e tecnologia. Ele possui a habilidade de abrir caminhos, … atlético, agressivo e corajoso. Ogum dança de uma forma guerreira. Seu dia consagrado é terça. Suas cores são o azul e o verde e sua saudação é “ Ogunhe”.

 

 

Ogum como personagem histórico, teria sido o filho mais velho de Odùduà, o fundador de Ifé. Era um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos. Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Saqueou e devastou muitos outros Estados e apossou-se da cidade de Irê, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oníìré, "Rei de Irê". Por razões que ignoramos, Ogum nunca teve o direito a usar uma coroa (adé), feita com pequenas contas de vidro e ornada por franjas de missangas, dissimulando o rosto, emblema de realeza para os iorubás. Foi autorizado a usar apenas um simples diadema, chamado àkòró, e isso lhe valeu ser saudado, até hoje, sob os nome de Ògún Oníìré e Ògún Aláàkòró inclusive no Novo Mundo, tanto no Brasil como em Cuba, pelos descendentes dos iorubás trazidos para esses lugares. Ogum teria sido o mais enérgico dos filhos de Odùduà e foi ele que se tornou o regente do reino de Ifé quando Odùduà ficou temporariamente cego (informação pessoal do Óòni(rei) de Ifé em 1949). Ogum decidiu, depois de numerosos anos ausente de Irê, voltar para visitar seu filho (informação pessoal do Oníìré em 1952). Infelizmente, as pessoas da cidade celebravam, no dia da sua chegada, uma cerimônia em que os participantes não podiam falar sob nenhum pretexto. Ogum tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente durante muito tempo. Ogum, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e, logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, como cães e caramujos, feijão regado com azeite-de-dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os habitantes de Irê cantavam louvores onde não faltava a menção a Ògúnjajá, que vem da frase ògún je ajá (Ogum come cachorro), o que lhe valeu o nome de ògúnjá. Satisfeito e acalmado, Ogum lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra adentro com uma barulheira assustadora. Antes de desaparecer, entretanto, ele pronunciou algumas palavras. A essas palavras, ditas durante uma batalha, Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou. Porém, elas não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, se não encontrar inimigos diante de si, é sobre o imprudente que Ogum se lançará.
Como Orixá, Ogum é o deus do ferro, dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam esse metal: agricultores, caçadores, açougueiros, barbeiros, marceneiros, carpinteiros, escultores. Desde o início do século, os mecânicos, os condutores de automóveis ou de trens, os reparadores de velocípedes e de máquinas de costura vieram juntar-se ao grupo de seus fiéis. Ogum é único, mas, em Irê, diz-se que ele é composto de sete partes. Ògún méjeje lóòde Iré, frase que faz alusão às sete aldeias, hoje desaparecidas, que existiriam em volta de Irê. O número 7 é, pois, associado a Ogum e ele é representado, nos lugares que lhe são consagrados, por instrumentos de ferro, em número de sete, catorze ou vinte e um, pendurados numa haste horizontal, também de ferro: lança, espada, enxada, torquês, facão, ponta de flecha e enxó, símbolos de suas atividades.

 

(trecho de "Orixás”, de Pierre Fatumbi Verger)

 

 

 

ARQUÉTIPO_________________________________________________________________

 

O arquétipo de Ogum é o das pessoas violentas, briguentas e impulsivas, incapazes de perdoar as ofensas de que foram vítimas. Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Das que possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhes prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.

(trecho de "Orixás”, de Pierre Fatumbi Verger)

 

 

 

LENDAS_____________________________________________________________________

 

 

Ogum cria a forja

 

Ogum e seus amigos Alaká e Ajero foram consultar Ifá.
Queriam saber uma forma de se tornarem reis de suas aldeias.
Após a consulta foram instruídos a fazer ebó, e a Ogum foi pedido um cachorro como oferenda.
Tempos depois, os amigos de Ogum tornaram-se reis de suas aldeias, mas a situação de Ogum permanecia a mesma.
Preocupado, Ogum foi novamente consultar Ifá, e o adivinho recomendou que refizesse o ebó.
Ele deveria sacrificar um cão sobre sua cabeça e espalhar o sangue sobre seu corpo.
A carne deveria ser cozida e consumida por todo seu egbé.
Depois, deveria esperar a próxima chuva e procurar um local onde houvesse ocorrido uma erosão.
Ali devia apanhar da areia negra e fina e colocá-la no fogo para queimar.
Ansioso pelo sucesso, Ogum fez o ebó Enquanto isso acontecia, Exu, travesso que era, e, para sua surpresa, ao queimar aquela areia, ela se transformou na quente massa que se solidificou em ferro.
O ferro era a mais dura substância que ele conhecia, mas era maleável enquanto estava quente.
Ogum passou a modelar a massa quente.
Ogum forjou primeiro uma tenaz, um alicate para retirar o ferro quente do fogo.
E assim era mais fácil manejar a pasta incandescente.
Ogum então forjou uma faca e um facão.
Satisfeito, Ogum passou a produzir toda espécie de objetos de ferro, assim como passou a ensinar seu manuseio.
Veio fartura e abundância para todos.
Dali em diante Ogum Alagbedé, o ferreiro, mudou.
Muito prosperou e passou a ser saudado como Aquele que Transforma a Terra em Dinheiro.

 

(L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.96)

 

 

Ogum dá aos homens o segredo do ferro

 

Na Terra criada por Obatalá, em Ifé, os orixás e os seres humanos trabalhavam e viviam em igualdade.
Todos caçavam e plantavam usando frágeis instrumentos feitos de madeira, pedra ou metal mole.
Por isso o trabalho exigia grande esforço.
Com o aumento da população de Ifé, a comida andava escassa.
Era necessário plantar uma área maior.
Os orixás então se reuniram para decidir como fariam para remover as árvores do terreno e aumentar a área da lavoura.
Ossaim, o orixá da medicina, dispôs-se a ir primeiro e limpar o terreno.
Mas seu facão era de metal mole e ele não foi bem sucedido.
Do mesmo modo que Ossaim, todos os outros orixás tentaram um por um e fracassaram na tarefa de limpar o terreno para o plantio.
Ogum, que conhecia o segredo do ferro, não tinha dito nada até então.
Quando todos os outros orixás tinham fracassado, Ogum pegou seu facão, de ferro, foi até a mata e limpou o terreno.
Os orixá, admirados, perguntaram a Ogum de que material era feito tão resistente facão.
Ogum respondeu que era de ferro, um segredo recebido de Orunmilá.
Os orixás invejavam Ogum pelos benefícios que o ferro trazia, não só à agricultura, mas como à caça e até mesmo à guerra.
Por muito tempo os orixás importunaram Ogum para saber do segredo do ferro, mas ele mantinha o segredo só para si.
Os orixás decidiram então oferecer-lhe o reinado em troca de que ele lhes ensinasse tudo
sobre aquele metal tão resistente.
Ogum aceitou a proposta.
Os humanos também vieram a Ogum pedir-lhe o conhecimento do ferro.
E Ogum lhes deu o conhecimento da forja, até o dia em que todo caçador e todo guerreiro
tiveram suas lanças de ferro.
Mas, apesar de Ogum ter aceitado o comando dos orixás, antes de mais nada ele era um caçador.
Certa ocasião, saiu para caçar e passou muitos dias fora numa difícil temporada.
Quando voltou da mata, estava sujo e maltrapilho.
Os orixás não gostaram de ver seu líder naquele estado.
Eles o desprezaram e decidiram destituí-lo do reinado.
Ogum se decepcionou com os orixás, pois, quando precisaram dele para o segredo da forja, eles o fizeram rei e agora dizem que não era digno de governá-los.
Então Ogum banhou-se, vestiu-se com folhas de palmeira desfiadas, pegou suas armas e partiu.
Num lugar distante chamado Irê, construiu uma casa embaixo da árvore de acocô e lá permaneceu.
Os humanos que receberam de Ogum o segredo do ferro não o esqueceram.
Todo mês de dezembro, celebram a festa de Iudê-Ogum.
Caçadores, guerreiros, ferreiros e muitos outros fazem sacrifícios em memória de Ogum.
Ogum é o senhor do ferro para sempre.

 

(L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.88)

 


Orixá Ocô cria a agricultura com ajuda de Ogum


No princípio, havia um homem que se chamava Ocô.
Mas Ocô não fazia nada o dia todo, não havia o que fazer, simplesmente.
Quando os alimentos na Terra escassearam, Olorum encarregou Ocô de fazer plantações.
Que plantassem inhame, pimenta, feijão e tudo mais que os homens comem.
Ocô gostou de sua missão, ficou todo orgulhosos, mas não tinha a menor idéia de como executá-la.
Até que viu, debaixo de uma palmeira, um rapaz que brincava na terra.
Com um graveto ele revolvia a terra e cavava mais fundo.
Ocô quis saber o que fazia o rapaz.
"Preparando a terra para plantar, para plantar as sementes que darão as plantas", explicou o rapaz de pele reluzente.
"Que sementes, se nem plantas ainda há?", perguntou, incrédulo, Ocô.
"Nada é impossível para Olodumare", foi a resposta.
Começaram então a cavar juntos a terra.
O graveto que usavam como ferramenta quebrou-se e passaram então a usar lascas de pedra.
O trabalho, entretanto, não rendia e Ocô saiu `procura de alguma maneira mais prática.
Outro dia, quando Ocô voltou sem solução, o rapaz tinha feito fogo, protegendo-o com lascas de pedra.
Viram então que a pedra se derretia no fogo.
A pedra líquida escorria em filetes que se solidificavam.
"Que ótimo instrumento para cavar!", descobriu efusivamente o inventivo rapaz.
Ele pôde então usar o fogo e fazer lâminas daquela pedra, e modelar objetos cortantes e ferramentas pontiagudas.
Ele fez a enxada, a foice e fez a faca e a espada e tudo o mais que desde então o homem faz de ferro para transformar a natureza e sobreviver.
O rapaz era Ogum, o orixá do ferro.
Juntos resolveram a terra e plantaram e os alimentos foram abundantes.
E a humanidade aprendeu a plantar com eles.
Cada família fez a sua plantação, sua fazenda, e na Terra não mais se padeceu de fome.
E Ocô foi festejando como Orixá Ocô, o Orixá da Fazenda, da plantação, pois fazenda é o significado do nome Ocô.
E Ogum e Orixá Ocô foram homenageados e receberam sacrifícios como os patronos da agricultura, pois eles ensinaram o homem a plantar e assim superar a escassez de alimentos e derrotar a fome.

 

(L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.175)

 

 

1)
 

Ogum foi o segundo filho de Iemanjá e era muito ligado ao irmão mais velho, Exú. Os dois eram muito aventureiros e brincalhões, estavam sempre fazendo estrepolias juntos. Quando Exú foi expulso de casa pelos pais, Ogum ficou muito zangado e resolveu acompanhar o irmão. Foi atrás dele e por muito tempo os dois correram mundo juntos. Exú, o mais esperto, resolvia para onde iriam; e Ogum, o mais forte e guerreiro, ia vencendo todas as dificuldades do caminho. É por isso que Ogum sempre surge no culto logo depois de Exú, pois honrar seu irmão preferido é a melhor forma de agradá-lo; e enquanto Exú é o dono das encruzilhadas, Ogum governa a reta dos caminhos.

 

 

(2)
 

Quando Ogum conquistou o reino de Irê, deu o trono para o filho e partiu em busca de novas batalhas. Anos depois, ele voltou; mas chegou no dia de uma festa religiosa em que todos deviam guardar silêncio. Sentindo sede, quis beber, mas o vinho havia sido todo usado no ritual religioso; pediu comida e ninguém lhe respondeu, por causa da proibição religiosa. Pensando que o desprezavam, Ogum puxou a espada e matou todo mundo. Quando terminou a cerimônia religiosa, o filho veio ao encontro de Ogum, prestou-lhe todas as homenagens e ofereceu-lhe um banquete. Quando lhe explicaram o que ocorrera, Ogum ficou horrorizado com seu crime. Cravou a espada no chão e fez com que se abrisse um grande buraco por onde se afundou, tornando-se desde então um Orixá.

 

 

(3)
 

Depois que Exú foi expulso de casa pelos pais, ficou decidido que Ogum, o segundo filho, seria o sucessor do pai no governo. Entretanto, Ogum não gostava desse tipo de atividade. Seu prazer estava nas aventuras. Quando substituiu o pai durante uma viagem deste, Ogum deixou de lado as funções de governante, dedicando-se a passeios e confusões com os amigos. Estava sempre se metendo com as namoradas alheias e arrumando brigas. Para mantê-lo sossegado, então, o pai lhe deu o comando do exército e a missão de responder às agressões ao reino e de conquistar novos territórios. Nessas atividades, ele foi muito bem sucedido.

 

 

(4)

Obaluaiê era muito mulherengo e não obedecia a nenhum mandamento que fosse. Numa data importante, Orunmilá advertiu-o que se abstivesse de sexo, o que ele não cumpriu. Naquele mesmo dia possuiu uma de suas mulheres.

Na manhã seguinte despertou com o corpo coberto de chagas. Suas mulheres pediram a Orunmilá que intercedesse junto à Olodumare, mas este não perdoou Obaluaiê, que morreu em seguida.

Orunmilá usando o mel de Osun, despejou-o por sobre todo o palácio de Olodumare. Este, deliciado, perguntou a Orunmilá quem havia despejado em sua casa tal iguaria. Orunmilá disse-lhe que havia sido uma mulher. Todas as divindades femininas foram chamadas, mas faltava Osun, que confirmou ao chegar que era seu aquele mel. Olodumare pediu-lhe mais, ao que Osun lhe fez uma proposta. Osun daria a ele todo o mel que quisesse, desde que ressuscitasse Obaluaiê. Olodumare aceitou a condição de Osun, e Obaluaiê saiu da terra vivo e são.



(5)


Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Omulu viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os Orisás. Omulu não podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do Orisá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos.

Apesar de envergonhado, Omulu entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão. O xirê estava animado.

Os Orisás dançavam alegremente com suas equedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de palha, levantou-lhe as palhas que cobriam sua pestilência. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Omulu pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Omulu, o deus das doenças, transformara-se num jovem, num jovem belo e encantador.

Omulu e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.



(6)


Obaluayê havia levado seus guerreiros aos quatro cantos do mundo. Uma ferida feita por suas flechas tornava as pessoas cegas, surdas ou mancas.

Obaluyê-Xapanan chegou assim, ao Daomé, batendo e dizimando seus inimigos, e pôs-se a massacrar e a destruir tudo o que encontrava à sua frente. Os daomeanos, porém, tendo consultado um Babalaô aprenderam a acalmar Obaluayê com oferenda de pipocas.

O Orisá, tranquilizado pelas atenções, mandou-os construir um palácio, onde ele passaria a morar. Daomé prosperou e se acalmou.

 

 

OGUN-XOROQUÊ

 

Na mitologia do primitivo povo africano Noc, que mais tarde se transfigurou no povo extinto dos Ilú Ukulmi, há a menção de 600 deuses primários, divididos em duas raças, a dos 400 dos Irun Imole e a dos 200 Igbá Imole, sendo os primeiros deuses do Céu e os segundos deuses da Terra.

Da união entre estas duas raças, que outrora entraram em confronto, surge duas classes distintas de deuses secundários, os Orixás da raça do Irun Imole, e os Ebora da raça dos Igbá Imole, e destes surgem duas classes de deuses, os Orixá Funfun (deuses Brancos), e os Orixá Dudu (deuses Negros), que se unem e formam uma terceira classe, a dos Orixá Pupa (deuses vermelhos), divididos entre Omodê Okunrin ou Descendente Masculino e Omodê Obirin ou Descendente Feminino.

Quando os Igba Imole cessaram as disputas com os Irun Imole, um destes Omodê Okunrin denominado Ogun, foi designado pelo deus supremo, Olodunmarê, para ser o Guardião dos 200 Igbá Imole, e para ser o “mensageiro entre as duas raças de deuses” seria designada uma terceira raça de deuses primários, denominados de Imole Exú.

Distinguidos por diversos epítetos, tais como, Imole Exú Yangui, Imole Exú Agba, Imole Exú Igbá Ketá, Imole Exú Okotô, Imole Exu Odara, Imole Exú Osije, Imole Exú Eleru, Imole Exú Enú Gbarijo, Imole Exú Elegbara, Imole Exú L’Onan, Imole Exú Odusô e outros nomes como protetores de cidades, como Lalu, Akessan, Alaketu, Baralakossô e guardiões e servidores dos Orixás Omodê Okunrin e Obirin, como Imole Exú Gulutú, do Orixá Okô ou o Imole Exu Sorokê, do Orixá Okê.

O culto ao Orixá Omodê Okunrin Okê, englobaria ao culto ao Imole Exu Sorokê, e por ser o Orixá-Okê um deus Odé ou Caçador ligado a Montanha, talvez tenha se fundido ao culto de Ogun, que também é um Odé, muito ligado ao Orixá Omodê Okunrin Okô e ao Orixá Omodê Okunrin Oxóssi, deuses relacionados à agricultura e a caça.

Como houve uma fusão do culto de Ogun com o culto de Okô, na figura de Ogun Gemini ou Gunokô, bem como uma possível fusão com o Orixá Funfun Irokô, ligado aos deuses fitomorfos, pode ter ocorrido também uma fusão do culto de Ogun com o do Orixá Okê e seu Exú Sorokê, criando o epíteto de Ogun Sorokê.

Já que Ogun e Exú são ligados um ao outro, é provável que tenham se fundido o deus Ogun com esse Exú, criando o chamado Orixá Meji ou Duplo, neste caso metade Ogun e metade Exú Sorokê.

O Nome Sorokê, pode derivar de Osô-Arô-Okê, sendo que a partícula Osô significa “detentor do poder mágico”, Arô designa “um deus velho ou antigo” e Okê é “a montanha”, formando então o nome “antigo deus da montanha detentor do poder mágico” ou mais comumente, “Senhor do Alto da Montanha”.

A nomenclatura Osô é um termo também utilizado para os Antigos Feiticeiros, ou designar “feitiço”, “maldição”, bem como nomes de deuses antigos há muito tempo esquecidos como Dsô, Osôgbô, Osô, deuses relacionados aos vulcões e montanhas, associados aos Vodun da família do Raio e do Trovão, como Heviosô, análogos ao deus Dzacuta ou Xangô.

Ogun sendo um deus da forja dos metais e do fogo, provavelmente, se fundiu, ou foi confundido, com o Orixá Okê e seu Exú Sorokê ligados não somente ao Pico das Montanhas, mas também aos vulcões.

Ogun Sorokê, portanto, é um Ogun ligado aos vulcões, ao magma e ao culto aos Osô ou feiticeiros seguidores de Okô.

É além de um deus vulcânico um grande feiticeiro, portador do segredo da forja de todos os metais, inclusive do ouro.

É possuidor da riqueza assim como o seu Orixá Meji Okê que é um deus também da prosperidade e da abundância.

É descrito metade Imole Exú Sorokê e metade Ogun, sendo portanto um deus da guerra, dos caçadores, da forja dos metais, das armas e da magia contida no ouro e no ferro.

 


Ogun Xoroquê no Brasil:

 

O culto ao Orixá Okê, tal como, o dos Orixás Okô, Gunokô, Bayanni, Oduduwa, Onilê, Rowú e outros deuses que deixaram de serem cultuados no Brasil, perdeu um pouco das raízes africanas, sendo estes considerados deuses quase que extintos no Candomblé.

Este fato levou muitos sacerdotes deste culto, a reduzirem alguns Orixás a seres “encantados” ou Ekunrun (guias) de Umbanda e de Omolokô do Brasil, como o caso de Gunocô, que não é o Curupira dos indígenas, mas, foi confundido com o mesmo.

Durante esta miscigenação de raças e culturas, muito da tradição do culto destes deuses africanos considerados “extintos” aqui no Brasil foram reduzidos a elementos da crença Indígena, de Umbanda e de seu sincretismo com o Catolicismo, como ocorreu também com o Ogun Xoroquê, sendo muito comum alguns sacerdotes de Candomblé denominar este como “um Exú de Umbanda”, ou seja, um Ekunrun ou um guia como os pretos-velhos, caboclos, boiadeiros, ciganos ou entidades de “incorporação” em “médiuns” espíritas e umbandistas. Erroneamente muitos confundem antigos “diabos ou espectros” da religião antiga sumeriana e babilônica, com o Imole Exú.

Muitos destes entes são denominados por nomes cabalísticos e portam tridentes, adagas, cetros e utilizam insígnias mágicas do ocultismo europeu e da antiga religião nórdica, não que estes entes não existem, eles realmente são verdadeiros e vieram de uma cultura muito rica que é da antiga Suméria, são “demônios” tanto benignos quanto malignos, cujo nome vem do grego “demos” que significa “comunidades, legiões”.

Os entes encantados da Umbanda, na cultura africana são denominados por diversas categorias como de “Kianda ou Quiandas” que são sereias, ondinas ou elementais das águas, que assumem qualquer forma desde a humana como a de peixe ou de seres sobrenaturais, os Ajagun, que são entes maus e também seria um termo que posto como Jagun designa para alguns autores, as entidades guerreiras, guardiões ou talvez as ditas “entidades exus”, os Ajé que é um termo utilizado tanto para designar demônios como também a presença de malefícios, sortilégios, feitiçaria ou deusas feiticeiras, os Ekunrun que são os Guias, os Iwin e os Igi, espíritos ancestrais e fitomorfos das árvores, e os Okú, que designa qualquer defunto ou espectro de ser humano morto, não devendo confundir com Ikú que designa o nome do Igbá Imole Ebora Ikú, que rege a Morte.

Há uma outra categoria de entidades como os Egungun, que é um termo utilizado de forma errada, como acorreu com a confusão de culturas, para designar os Quiandas, Ekunruns, Ajagun, Oku e outras entidades de uma forma geral.

Egungun, cujo nome vem do yorubá Egun, que significa “Ossos”, são Os Antigos Ancestrais, que na verdade são umas das três classes dos Onilê que são seres divinizados sobre a Terra, representados por um único deus chamado pelo mesmo nome, que significa “Dono da Terra”.

As outras duas classes de Onilê são os Babá Agbá Egun ou Os Pais Ancestrais Falecidos, divinizados por seus méritos terrestres, e também os Esá ou Ancestrais Especiais, que são os Babalorixás, Babalawôs e Iyalorixás ou sacerdotes falecidos, os Babá Egun e as Iyá Egun.

O Pai maior ancestral é denominado de Babá Olukotun Olori Egun ou Senhor do Lado Direito da Cabeça dos Mortos, e a Mãe Ancestral Maior é chamada de Iyá Agbá Nlá.

Os Orixás Tutelares destas três classes de Onilê, são Obaluaiyê com poder delegado por Igbá Imole Ebora Ikú e também Iyámi Oyá Igbalé conhecida como Iyá Messesan (Yansan).

Ogun Xoroquê (Sorokê), portanto, não é nem “exú de Umbanda”, nem Egun, nem “caboclo encantado”, ekunrun e afins, é um Orixá que surgiu de um culto do Orixá Okê e seu Imole Exú Sorokê fundido com o culto do Ogun Xoroquê (Sorokê).

 

 

 

ERVAS______________________________________________________________________
 

acoita_cavalo.jpg (25193 bytes)Açoita cavalo/ Ivitinga - Erva de extraordinários efeitos nas obrigações, nos banhos de descarrego e sacudimentos pessoais ou domiciliares. Muito usada na medicina caseira para debelar diarréias ou disenterias, e usada também no reumatismo, feridas e úlceras.

Açucena rajada/ Cebola cencém - Sua aplicação nas obrigações é somente do bulbo. Esta cebola somente é usada nos sacudimentos domiciliares. A medicina caseira utiliza as folhas como emoliente.

arnicadobrasil.jpg (137009 bytes)Arnica do Brasil/ Erva lanceta - É empregada em qualquer obrigação de cabeça, nos abô de purificação dos filhos do orixá Ogum. Excelente remédio na medicina caseira, tanto interna como externamente, usado nas contusões, tombos, cortes e lesões, para recomposição dos tecidos.

Aroeira - É aplicada nas obrigações de cabeça, e nos sacudimentos, nos banhos fortes de descarrego e nas purificações de pedras. Usada como adstringente na medicina caseira, apressa a cura de feridas e úlceras, e resolve casos de inflamações do aparelho genital.

canadobrejo.jpg (30844 bytes)Cana de Brejo/ Ubacaiá/ Cana de macaco - Usada nos abô de filhos, que estão recolhidos para feitura de santo e também nos banhos de limpeza dos filhos do orixá do ferro e das artes manuais. Na medicina caseira é usado para combater afecções renais com bastante sucesso. Combate a anúria, inflamações da uretra e na leucorréia. Há bastante fama referente ao seu emprego anti-sifilítico.

Canjerana/Pau-santo - Em rituais é usada a casca, para constituir pó, que funcionará como afugentador de eguns e para anular ondas negativas. Seu chá atua como antifebril, contra as diarréias e para debelar dispepsias. O cozimento das cascas também é cicatrizador de feridas.

Dragoeiro/ Sangue-de-dragão - Abrange aplicações nas obrigações de cabeça, abô geral e banhos de purificação. Usa-se o suco como corante, e toda a planta, pilada, como adstringente.

Erva-tostão - Aplicada apenas em banhos de descarrego, usando-se as folhas. A medicina popular a utiliza contra os males do fígado, beneficiando o aparelho renal.

Grumixameira - Aplicado em quaisquer obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos do orixá. A arte de curar usada pelo povo indica o cozimento das folhas em banhos aromáticos e na cura do reumatismo. Banhos demorados eliminam a fadiga nas pernas.

Guarabu/ Pau-roxo - Aplicado em todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos de Ogum. Usa-se somente as folhas que são aromáticas. A medicina caseira indica o chá das folhas, pois este possui efeito balsâmico e fortificante.

Helicônia - Utilizada nos banhos de limpeza e descarrego e nos abô de ori, na feitura de santo e nos banhos de purificação dos filhos do orixá Ogum. A medicina caseira a indica como debelador de reumatismo, aplicando-se o cozimento de todas a planta em banhos quentes. O resultado é positivo.

Jabuticaba - Usada nos banhos de limpeza e descarrego, os banhos devem ser tomados pelo menos quinzenalmente, para haurir forças para a luta indica o cozimento da entrecasca na cura da asma e hemoptises.

Jambo-amarelo - Usado em quaisquer as obrigações de cabeça e nos abô. São aplicadas as folhas, nos banhos de purificação dos filhos do orixá do ferro. A medicina caseira usa como chá, para emagrecimento.

Jambo-encarnado - Aplicam-se as folhas nos abô, nas obrigações de cabeça e nos banhos de limpeza dos filhos do orixá do ferro. Tem uso no ariaxé (banho lustral).

Jatobá – Jataí - Erva poderosa, porém sem aplicação nas cerimônias do ritual. Somente é usada como remédio que se emprega aos filhos recolhidos para obrigações de longo prazo. Ótimo fortificante. Não possui uso na medicina popular.

Limão-bravo - Tem emprego nas obrigações de ori e nos abô e, ainda nos banhos de limpeza dos filhos do orixá. O limão-bravo juntamente com o xarope de bromofórmio, beneficia brônquios e pulmões, pondo fim às tosses rebeldes e crônicas.

Losna - Emprega-se nos abô e nos banhos de descarrego ou limpeza dos filhos do orixá a que pertence. É usada pela medicina caseira como poderoso vermífugo, mais particularmente usada na destruição das solitárias, usando-se o chá. É energético tônico e debeladora de febres.

Óleo-pardo - Planta utilizada apenas em banhos de descarrego. De muito prestígio na medicina caseira. Cozimento da raiz é indicado para curar úlceras e para matar bernes de animais.

Piri-piri - A única aplicação litúrgica é nos banhos de descarrego. É extraordinário anti- hemorrágico. Para tanto, os caules secos e reduzidos a pó, depois de queimados, estancam hemorragias. O mesmo pó, de mistura com água e açúcar extermina a disenteria.

Poincétia - Emprega-se em qualquer obrigação de ori, nos abô de uso externo, da mesma sorte nos banhos de limpeza e purificação dos filhos do orixá. A medicina caseira só o aponta para exterminar dores nas pernas, usando em banhos.

Porangaba - Entra em quaisquer obrigações e, igualmente, nos abô. No tratamento popular é usada como tônico e importante diurético.

Sangue de dragão - Tem aplicações de cabeça, nos banhos de descarrego e nos abô. Não possui uso na medicina popular.

São Gonçalinho - É uma erva santa, pelas múltiplas aplicações ritualísticas a que está sujeita. Na medicina caseira usa-se como antitérmico e para combater febres malignas, em chá.

tanchagem.jpg (19608 bytes)Tanchagem - Participa de todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação de filhos recolhidos ao ariaxé. É axé para os assentamentos do orixá do ferro e das guerras. Muito aplicada no abô de ori. A medicina popular ou caseira afirma que a raiz e as folhas são tônicas, antifebris e adstringentes. Excelente na cura da angina e da caxumba.

Vassourinha de igreja - Entra nos sacudimentos de domicílio, de local onde o homem exerce atividades profissionais . não possui uso na medicina popular.

 

 

 

REZAS______________________________________________________________________

 

Gbàdúrà Ògún

 

Oní ìjà oní ìjà

Senhor da luta, Senhor da guerra

Oní ìjà oní ìjà

Senhor da luta, Senhor da guerra

Àgò àgò meje e e

Com licença, com licença aos sete

Méje ó jé rìn e jojo

Os sete andam e é extremo

A l'èrù. Oní ìjà

O medo que nós sentimos. Senhor da luta

Oní Ìré, oní ìjà ó

Senhor de Irê, Senhor da luta

Ó gogoro ará òun

O corpo dele é esguio

Wá gbélé gbè aláàkòro

Venha morar e proteger a nossa casa Senhor do Acorô

A yin sìn, a yin sìn imonlè

Nós vos serviremos, nós vos serviremos imanlé

 


 

Lóònòn sí pa e, lóònòn sí pa e

Para vós que matamos no caminho, para vós que matamos no caminho

Oní ki àwúre, oní ki àwa pa

Senhor que nos abençoa, Senhor para quem matamos

Ògún OníÌré, Lóònòn sí pa e

Ogum Senhor de Irê, para quem sacrificamos no caminho

Olóònòn ki àwúre

Senhor dos caminhos que nos abençoa

 


 

Ògún Òrìsà ki ìjà àwúre

Ogum Orixá que luta e nos abençoa

E ló ki Ìré gbé ó

Sois aquele que mora em Irê

Dajú e e e àwa

Vigie-nos e guarde-nos

Dajú e olóònòn ó

Vigie-nos, dono dos caminhos

Dajú e olóònòn àwa

Vigie-nos, dono dos nossos caminhos

Dajú e olóònòn ó

Vigie-nos, dono dos caminhos

Dajú e olóònòn àwa

Vigie-nos, dono dos nossos caminhos

 

 

 

IGUARIAS___________________________________________________________________

 

 

Feijão para Ogum

 

Ingredientes: 500g de feijão cavalo; 1 cebola; 1 vidro de dendê; 7 camarões grandes.

 

Modo de preparo: Cozinhe o feijão e tempere-o com cebola refogada no dendê, coloque em um alguidar e enfeite com os camarões fritos no dendê. Faça seus pedidos e ofereça a Ogum.

 

 

 

CURIOSIDADES_______________________________________________________________

 

 

TV GLOBO - Êxtase

 

 

 

Dança de Ogum